Lição 13

Promessas a respeito do messias como servo sofredor (49.1-53.12)

3° Trimestre de 2016

1-CAPA-JOVENS-PROFESSOR-3TRI

INTRODUÇÃO
I – AS QUALIDADES DO SERVO
II – O NOSSO PECADO LEVOU SOBRE SI
III - SEU SOFRIMENTO, NOSSA CURA
IV - SUA MORTE, NOSSA SALVAÇÃO
CONCLUSÃO

Estes Quatro Cantos do Servo de YHWH, chamados também de poemas, são  classificados como: primeiro: vocação (42.1-4), segundo: missão  (49.1-6), terceiro: resistência (50.4-9) e quarto: martírio  (52.13-53.12) – apresentam, assim, a caminhada e missão do Servo no  meio do povo sofrido (Schwantes, 1987). O capítulo 53 de Isaías  reaparece totalmente (com exceção de um versículo) no Novo Testamento,  se tornando um dos poemas mais importantes e influentes do Antigo Testamento nas Boas Novas do Evangelho.

O profeta retrata com detalhes o sofrimento vicário, expiatório e  substitutivo de Cristo, que sofreu tanto a ponto de todos que  presenciaram a cena de sua morte cruel acharam que a ira de Deus  estava sobre Ele, e neste sentido estava mesmo, pois representava o  juízo sobre a maldade de cada um de nós. 

I – AS QUALIDADES DO SERVO
Sua justiça tem implicações sobre aqueles que são regenerados, que  passam do estado de alienação pelo pecado à nova vida com Cristo e,  justificados, torna o homem unido àquilo que ele está separado, ou  seja, a Cristo, o justo; tornando aceitáveis aqueles que são  inaceitáveis. Esta obra não depende do ser humano, é graciosamente imputada sobre nós através de Cristo. Isto torna os seres humanos,  conforme afirmou Lutero, simultaneamente justos e simultaneamente  pecadores. Esta compreensão livra os salvos da culpa do pecado, pois  tira o olhar da miserabilidade humana e a coloca no Cristo justo e em  seu ato justificante. Por este motivo não pode haver mérito próprio no  ser humano, quem assim procede, aumenta sua culpa e sua angústia e  desespero no pecado. Neste sentido, o único trabalho que compete ao  ser humano, quanto à obtenção da salvação, é confiar nos méritos de  Cristo pela fé. Desta forma, cabe aos seres humanos deixarem-se presentar pela graça divina, ou aceitar que se é aceito.

As suas Palavras presentes em nós, seus discípulos, são a certeza de  respostas de oração (Jo 15.7) e de vida vitoriosa, porque a sua  Palavra tem poder. Teve poder para criar todas as coisas (“Disse Deus”  Gn 1) e tem poder de sustentar todas as coisas, como escreveu Paulo:  “Ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem nele.”  (Cl 1.17b), logo, suas Palavras em nós fazem toda diferença para uma  vida triunfante. A Palavra de Deus se refere aquilo que se ouve de Deus: quer através  do estudo e meditação na Bíblia, que é a fonte principal de sua voz,  quanto através do ensino e pregação de outros, da voz interior do  Espírito Santo, de amigos e inimigos, das circunstâncias, dos  sofrimentos, etc., basta apenas estar atento à Palavra como um  presente a todos. 

Ele não veio para ser servido, mas para servir (Mc 10.45). Este é um  dos melhores exemplos que Ele deixou para nós, pois a característica  principal de um servo é não ser nem querer ser Deus (Fp 2.6), não  estar no comando de nada, não tomar decisões, mas em tudo obedecer ao Senhor que está sobre tudo e todos. Foi assim que Jesus fez,  voluntariamente se entregou (Fp 2.8). A cruz como a mais terrível,  humilhante e vil maneira de morrer, destinada aos criminosos mais  cruéis e perigosos. A agonia e sofrimento do supliciado à cruz é a das  mais horrendas. Mas foi justamente com esta morte que Ele pagou o  preço de nossa eleição, redenção e justificação. 

II – O NOSSO PECADO LEVOU SOBRE SI
Na igreja cristã pecado normalmente é concebido como falha moral e  ética, como errar o alvo proposto por Deus, mas seu conceito vai muito  além disto. Ele é o estado de alienação (separação) entre Deus e a  criatura, presentes na expulsão do paraíso, na hostilidade entre o ser  humano e a natureza, na constante perversão da imagem de Deus no ser  humano (Rm 1.22-25), transformando-a em ídolos, na procura de desejos  distorcidos e auto prejudiciais. O pecado, portanto, é o ato pessoal  de afastamento de Deus, trazendo angústia e uma propensão à tragédia  sobre o ser humano, sem que ele nem mesmo tenha consciência clara  deste estado. Ele precisará da “luz dos gentios” (Cristo conforme Is  9.2; 42.6; 49.6) iluminando sua mente para discernir sua condição, e  confiando em Cristo resolver esta situação (Rm 1.17) e encontrar paz  (Ef 2.16).

O que caracteriza o pecado não é meramente a desobediência à Lei, mas o fato dos atos pecaminosos expressarem a alienação (inimizade  conforme Ef 2.16) do ser humano em relação a Deus (2 Co 5.18), ao próximo (Mt 5.24) e a si mesmo. A única forma de ir vencendo a alienação é aplicar em tudo a lei do amor, que segundo Jesus, é o  resumo da Lei. Assim, o pecado é vencido aplicando-se contra ele as  palavras de Jesus; e a angústia é vencida no amor (1 Jo 4.18). Portanto, para resolver a questão da separação e da inimizade  (alienação) contra Deus, é que Cristo padeceu (Cl 1.20-22). Desta  forma, o que reata o ser humano pecador com o Deus santo é a reconciliação efetuada por Cristo na cruz, conforme escreveu Paulo (Rm  5.10; Cl 1.21).

Somente um sistema divino de substituição poderia remover as  consequências e a culpa do pecado no ser humano, com base nisso  Ortlund afirma que: “Toda nossa culpa deve ir para Cristo e toda a  nossa justiça deve vir de Cristo,” numa via de mão dupla, nós temos a  oferecer nossas misérias, Ele oferece perdão, graça e amor. Por isso  “a cruz não traduz um ideal religioso imaginário; ela representa o  poder, ela funciona.” Ela dá a vitória porque levou o autor da vida e  levando-o traz consigo toda a vida para a humanidade. Por isso ele  salva pecadores, trata os transgressores como seus amigos, se coloca  diante do Pai intercedendo pelos que os levaram à morte (inclusive eu e você), portanto, ele é o único que tem o direito de justificar os  ímpios. (1 Pe 2.24).

III - SEU SOFRIMENTO, NOSSA CURA
Certamente não era a vontade do Deus da vida a morte do Servo; mas sua  vontade de que seus servos não fossem mais dominados pelo poder da  morte e do pecado é o motivo pelo qual ele permitiu sua morte para  gerar vida. A morte é a lógica que opera no mundo sem Deus, para  inverter esta lógica, o Servo morre para trazer a vida. O sofrimento não era dele, não o merecia, porque eram nossos, Ele nos  substituiu na cruz. Deus havia transferido toda nossa culpa para Ele bem como a iniquidade de todos nós, que morreu pelos nossos pecados.  Assim, não há como construir justiça-própria, ainda que imaginária,  achar que a superioridade moral nos salvará, que somos melhores do que  os outros pecadores, isso não consegue nos compensar ou trazer méritos  diante de Deus, apenas piora nossa condição (Is 64.6), porque todos  pecaram (Rm 3.23) e continuamente pecam (Rm 7), conforme afirma Ortlund. Portanto, a salvação é recebida de mãos vazias, apenas com fé, quem traz algo na sua mão corre o risco de afrontar o sacrifício  perfeito. Quem não aceita esta condição, achando-se moralmente  superior e, portanto merecedor, invalida o extenuante, imerecido e completo sacrifício de Cristo, sacrifício este que ninguém pode ou  poderia pagar, somente Ele.

O sofrimento de Jesus tem a ver com sua capacidade de tomar “sobre si  nossas enfermidades e as nossas dores” e “pelas suas pisaduras fomos  sarados”, fato este que aponta para a completude da salvação que há em  Cristo, que não apenas nos salva de nossos pecados e nos perdoa, mas  também que nos assegura saúde física e emocional, não necessariamente  deixamos de sofrer ou de ter enfermidades, dores e fraquezas, mas há  uma cura substancial desta situação de precariedade humana, há uma  restauração da mente e do corpo em Cristo, logicamente alcançável em  sua completude e plenitude somente na vida eterna. 

IV - SUA MORTE, NOSSA SALVAÇÃO
O profeta descreve o Servo Sofredor empregando linguagem que cabia aos  leprosos excluídos do convívio da comunidade e abandonados, que  ficavam a mercê da sorte. Jesus, assim como os leprosos, sofreu uma  das mais terríveis e amargas dores, a dor da solidão e do abandono, de  alguém que foi rejeitado e de quem os homens escondiam o rosto. A Sua pregação não teve muito crédito entre os seus conterrâneos (Is  53.1), pois foi contrária à hipocrisia e falsidade deles e por isso se  tornou desprezível pelas autoridades religiosas, levando-o a ser  injustamente insultado, açoitado, crucificado e consequentemente  morto. A rejeição que Israel lhe deu não seria suficiente para ofuscar  o brilho de Sua glória. Sua missão messiânica tanto no início de seu  ministério terreno quanto no futuro, era reconciliar Deus e o homem e  levar Israel (e toda a humanidade) de volta para a casa do Pai, ou  seja, reconciliar todos em todo mundo com Deus e assim providenciar  uma tão grande salvação (Hb 2.3). 

Portanto, a morte de Cristo é motivo de júbilo para aqueles que  compreendem sua abrangência, estes tornam-se como crianças (Mt 18.4), entusiasmados e felizes e começam a cantar em gratidão por tão grande  salvação (Hb 1.1-2; 2.3). Tendo em vista essa grande alegria dos  salvos, o profeta por duas vezes afirma esta realidade. (Is 35.10;  51.11). O grande valor e abrangência da morte de Cristo foi celebrado  por Pedro em 1 Pe 1.18-21. A mais extraordinária possibilidade para o ser humano, com a morte de  Cristo, é que agora todos, através Dele, têm acesso a Deus, podendo  experimentar não somente seu amor e cuidado, mas também uma comunhão e  intimidade restauradora e curadora, conforme afirmou o autor aos  Hebreus 10.19-22. Este acesso e proximidade a Deus expulsa o desprezo pela vida e permite a retomada do amor por ela, conforme afirma  Moltmann apazigua a consciência culpada pelo pecado, traz alívio e paz  à alma conturbada com as inquietudes da vida e permite consolo e  conforto aos que sofrem marginalizados com falta de acesso a bens  extremamente necessários à vida.

 Fonte: Revista Ensinador Cristão, Ano 17 - nº 67 – julho/agosto/setembro de 2016. 

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