Lição 03

A adoração após a queda

4° Trimestre de 2016

capaeditadajovensnova

INTRODUÇÃO
I-ENTRE SACRIFÍCIOS E ASSASSINATOS: OS PRIMEIROS ANOS DEPOIS DA QUEDA
II - QUANDO O MOMENTO DE LOUVOR TORNA-SE MOMENTO DE DOR 
III- DEUS NÃO FICA INERTE DIANTE DA INJUSTIÇA  
CONCLUSÃO

Nesta terceira lição de nossa peregrinação em busca da verdadeira adoração, deparamo-nos com uma das questões mais controversas e delicadas a ser tratada durante este trimestre: o problema das violências no campo litúrgico-religioso.Não se deve falar de violência (no singular) como se esta fosse um todo homogêneo, de raríssima manifestação e de fácil identificação. Na verdade, as formas de violência são múltiplas – física, emocional, simbólica, verbal etc. –, os mecanismos de perpetuação dela são completamente difusos – relações sociais, familiares, escolares, religiosas –, o mais preocupante, todavia, são as formas de velamento e disfarces destas.

Pesquisas de grupos especializados na defesa de crianças e adolescentes, mulheres, ou de vulneráveis de um modo geral, tem apontado que – a despeito do que o senso comum, alimentado pelos meios de comunicação em massa, nos induz a crer, isto é, a acreditar que o inominável câncer da violência e abuso sexual no mundo religioso restringe-se à Igreja Católica – tais práticas repulsivas encontram terreno fértil dentro dos arraiais protestantes, e aqui no Brasil, especialmente entre os pentecostais. Nesse contexto sombrio, lugares, espaços e pessoas, que deveriam inspirar e aproximar outros do Reino de Deus, afastam-nos do modo mais covarde possível. Como alguém abusado sexualmente, por alguém de seu círculo religioso, conseguirá voltar a frequentar tal lugar com naturalidade? Como alguém que sofreu forte assédio moral conseguirá relacionar-se debaixo de uma submissão cristã com seu líder novamente?

A verdade é que problemas como pedofilia, violência contra a mulher, assédio sexual, são tabus, muitas vezes ignorados propositadamente no meio religioso. Não podemos idealizar nossas comunidades de adoração. É necessário que encaremos nossos desafios contemporâneos – novos em apresentação ou visibilidade, velhos de natureza e origem.  Se Abel enfrentou a fúria de um incontrolável Caim que, movido pelo impulso malévolo, ceifou-lhe a vida; hoje precisamos denunciar com voz altiva todo tipo de pecado estrutural em nossas Igrejas. Um líder tratar com desdém ou humilhação qualquer pessoal de sua igreja, além de uma prática imoral passível de ser criminalizada, acima de tudo é pecado. Um marido opressor que covardemente fere esposa e filhos deve ser denunciado, ainda que seja alguém do alto esquadrão clerical de nossa denominação. É inadmissível que alguém que – COMPROVADAMENTE – envolveu-se em crimes e abusos sexuais, físicos ou emocionais seja simplesmente trocado de igreja, retirado da liderança do ministério, apenas disciplinado espiritualmente. A prisão, na maioria das vezes, deveria ser o lugar de tais monstros.

A situação da igreja é complexa, não cabe a ela um papel policialesco – de ficar investigando pessoas – contudo, a conivência e o silêncio diante de fato inquestionáveis a tornam tão culpada quanto o agressor. O que acontece na residência de alguém deixou de ser uma questão privada desde que tais episódios extrapolaram o respeito a integridade de um ser humano. Boa parte da rejeição que o Evangelho enfrenta em nossa comunidade brasileira não é a ele de fato, e sim, àqueles que deveriam ser seus fiéis anunciadores. Boa parte dos desigrejados ama Jesus, a Bíblia e seus irmãos, mas a presença de violentadores muitas vezes impunes no seio das comunidades, afasta tais pessoas da comunhão. Essa é a terrível contradição: as vítimas que precisam de socorro são abandonadas pelas comunidades, enquanto isso, os predadores continuam no seu interior em busca de novas vítimas.

Não permitamos que nossas igrejas, nosso espaço de crescimento espiritual, torne-se um contexto de dor e sofrimento para ninguém; sejamos promotores da justiça, defensores dos vulneráveis, cuidadores dos frágeis. Assim como Jesus, façamos de nossa vida de adoração e comunhão com o Pai, uma luta contínua por um mundo melhor para todos (Is 61.1-8; Lc 4.16-21).

Subsídio feito pelo próprio comentarista da Revista, Pastor Thiago Brazil. 

Contatos

Casa Publicadora das Assembleias de Deus

Av Brasil, 34401 - Bangu / RJ

  • (21) 2406-7373

Newsletter

Preencha os campos abaixo e receba nossas ofertas e novidades por e-mail.

Redes Sociais

Estamos nas Redes Sociais. Siga-nos e entre em contato.

 

facebook instagram twitter youtube google