Conhecimento produz avivamento

27 Julho 2015 By In Artigos
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avivamento ediO estudo da Palavra de Deus, sua divulgação e prática, são os elementos predecessores de um real avivamento. Vai longe o tempo em que associava-se conhecimento com ceticismo e frieza espiritual. Sabemos da grandiosidade do poder de Deus através de sua Palavra e, quanto mais a conhecemos, mais cientes ficamos de nossa dependência e do quanto Ele nos protege.

Conta-se a estória de uma família que se dispôs a fazer um cruzeiro em um navio de primeira classe. Como em toda a viagem marítima, receberam um manual de instruções contendo as informações necessárias aos tripulantes. Nele, estavam contidos todos os deveres, direitos e regalias das quais os viajantes precisavam tomar conhecimento.

No dia previsto, ignorando as informações previstas no manual, a família embarcou para a tão sonhada viagem e como era precavida, levou mantimento para passar quinze dias de navegação. Todos os dias nos horários das refeições enquanto as pessoas se dirigiam para o restaurante, os membros da família abriam suas lancheiras e se punham a degustar os alimentos que trouxeram. No décimo quinto dia, já não havia mais condições de engolirem aquela comida. Então, a força da necessidade falou mais alto que a da negligência e o pai da família resolveu convidar a todos para almoçarem no restaurante da embarcação.

Na entrada havia um recepcionista bem vestido que providenciava mesa e demais comodidades aos viajantes. A família se dirige até ele e o líder da casa, imaginando quão tremendo estrago causará no bolso por comparecer a um lugar tão grã-fino como aquele, arrisca a pergunta: “Quanto custa o almoço?” O rapaz com um sorriso nos lábios lhe responde gentilmente: “Quando o senhor retirou os bilhetes não recebeu um manual? Nele estava a informação de que, na compra dos bilhetes, estão incluídas as refeições de todos os dias”.

Esta historieta nos dá a noção do que pode causar a falta de conhecimento. Todo avivamento espiritual registrado na Bíblia é resultado direto de uma renovada proclamação da Palavra de Deus e da obediência a Ela.

O grande teólogo Donald Stamps, autor das notas e estudos da Bíblia de Estudo Pentecostal (CPAD), afirmou que todos os reais e duradouros avivamentos são marcados pela reposição da Palavra de Deus ao seu devido lugar de autoridade e honra.

Reforma, Teologia e avivamento

O protagonista da Reforma Protestante, Martinho Lutero (1483-1546), foi um dos monges agostinianos mais disciplinados e competentes de seu tempo. Após estudar acuradamente a Bíblia, e depois de certificar-se que nela não havia nada sobre purgatório e muito menos pagamento como condição para alguém salvar-se, formulou 95 teses nas quais expunha os pontos básicos da Reforma condenando a venda de indulgências e enfatizando a temática da justificação pela fé, essência do protestantismo.

A publicação da Reforma deu-se em 31 de outubro de 1517 quando Lutero afixou na porta da Igreja de Witemberg. Por esta causa foi excomungado pelo papa. E não seria demais reafirmar que esse revolucionário movimento fora deflagrado em seu coração através do estudo da Palavra de Deus, em especial o texto de Rm 1.17 que diz: “Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé”.

No início do século passado por volta de 1900, alguns alunos de uma escola teológica começaram a estudar sobre o batismo no Espírito Santo. Entre esses alunos estavam Agnes Ozman e duas outras mulheres. O estudo ministrado pelo pastor Parham a seus 40 primeiros alunos era realmente gratificante, porém, a experiência durante o culto da noite de 1 de janeiro de 1901 foi algo marcante.

Agnes Ozman, sentindo um forte desejo de ser batizada no Espírito Santo, perguntou ao pastor Parham se ele poderia impor suas mãos e orar para que ela recebesse a promessa.

De acordo com o relato de Parham, “Agnes Ozman falou chinês por três dias, durante os quais não podia falar nem escrever inglês”.

O mês de janeiro, então, é considerado a data oficial do movimento pentecostal que se estende até nossos dias.

A mensagem do pastor Parham e a notícia do que havia acontecido, influenciou J. A. Warren a abrir uma nova Escola Bíblica em Houston, Texas. Warren era orador leigo, metodista, assistente de Parham e Willian J. Seymour.

Seymour era negro e juntamente com outros, que se interessaram pela mensagem do Movimento da Fé Apostólica, mudou-se para Los Angeles e ali iniciou um ponto de pregação em uma casa de família na Bonnie Brae Street para um público mesclado. Ensinava, mediante as Escrituras, algo que ele mesmo ainda não havia provado. Entretanto, na data de 9 de abril de 1906, um domingo, o próprio Seymour e outros sete irmãos receberam o batismo no Espírito Santo. A repercussão foi instantânea e, com isso, o ambiente em pouco tempo tornou-se pequeno.

Seymour viu-se obrigado a obter um espaço maior, num lugar acessível a todos, foi assim que descobriu um prédio de uma Igreja Metodista Episcopal que estava fechado na rua Azusa, 312. Fundou-se então, nesse local, a Apostolic Faith Gospel Mission (Missão Evangélica da Fé Apostólica).

O movimento de Azusa Street 312 foi tão poderoso que causou grande vulto entre o povo, atraindo até mesmo a mídia secular, que por sua vez encarregou-se de divulgar os fatos e, à semelhança da Igreja Primitiva, que caiu na graça de todo o povo, vinham pessoas de várias partes do país e até mesmo do exterior, as quais recebiam poder do alto e levavam consigo a chama pentecostal para os pontos mais longínquos do globo terrestre, a exemplo de Gunnar Vingren e Daniel Berg, fundadores da AD e do movimento pentecostal no Brasil.

Restabelecendo o ensino

Tudo o que eu julgo ser bom, útil e importante para mim, é, e deve ser objeto de minha constante busca. Se a invulnerabilidade da vida cristã consiste em ser cheio do Espírito Santo, esse então é o meu objetivo. Minha vontade e meu desejo me encorajam a buscar essa virtude. E, se a via correta e racional para atingir esse alvo é o estudo da Palavra de Deus e não o emocionalismo ilusório, minha capacidade de busca optará por fazê-lo.

Descoberta, valorização e utilidade

Quando nos voltamos para o texto de 2Crônicas 34.15, onde diz: “E Hilquias respondeu e disse a Safa, o escrivão: Achei o livro da Lei na Casa do Senhor. E Hilquias deu o livro a Safa”; ficamos a pensar na deplorável situação em que se encontrava o majestoso templo construído no reinado de Salomão, todo trincado com fendas extremamente largas, em outros pontos da construção o estado era caótico, pois encontrava-se totalmente em ruínas.

Na memória de alguns, creio, imperava a lembrança do período áureo daquele local, onde era utilizado para cultuarem ao Senhor.

Imaginamos o descuido com algo tão importante como o Livro da Lei do Senhor existente no Templo por ordenança de seu escritor, o legislador Moisés (Dt 31.9-11, 24-26), a posição anterior do Livro junto à Arca do Concerto oferecia às pessoas seu valor e sua importância, mas agora lá estava Ele, jogado entre os escombros e entulhos do Santuário, semidestruído, como se nada representasse ou que nada significasse.

Surge então um jovem rei que toma a sábia iniciativa de restaurar a Casa do Senhor, tanto no aspecto de benfeitorias no prédio como no restabelecimento do culto religioso.A descoberta do Livro foi importante mas nada significaria se não houvesse por parte de quem o achou interesse em desvendá-lo através da leitura e da execução do seu conteúdo.

A Bíblia afirma que o rei Josias foi o mais crente de todos os reis e que celebrou a maior festa espiritual (2Rs 23.25 e 2Cr 35.18).

Ele foi mais privilegiado em inteligência? Seu dia possuía mais horas que o das demais pessoas? Com certeza, não! Ele simplesmente não ignorou o valor da descoberta.

Equipe de apoio

O rei contava com o apoio de uma equipe fiel e eficiente (2Cr 34.8-13,20,22). Uma parte cuidava das coisas espirituais e outra, das materiais. O escrivão Safa, autorizado pelo rei, falou com as pessoas responsáveis pela avaliação do orçamento (2Cr 34.8), logo após, foram até o sumo sacerdote Hilquias e entregaram a soma de dinheiro (2Cr 34.9) e, finalmente, levaram o montante e passaram às mãos de uma equipe que iria executar o serviço (2Cr 34.10-14). O rei ficou despreocupado pois sua equipe de pessoas competentes e, acima de tudo honestas, as quais receberam o dinheiro e o empregaram sem desperdiçá-lo (2Rs 22.7 e 2Cr 34.9-12).

Já dentro do templo o sacerdote encontra o Livro da Lei e o entrega a Safã, porque o que lhe interessava era o bem estar do reino e não sua autopromoção (2Cr 34.15).

Percebe-se então que o departamento da ED precisa mais do que qualquer outro, de uma equipe de apoio aliada a um superintendente criativo. O corpo docente cuida da “Lei”, ou seja, do ensinamento da Palavra, e a equipe de apoio atende à parte administrativa da ED, auxiliando a todos. Coisas como: recepcionar visitantes, observar as pessoas que estão faltando, idealizar e promover eventos extraclasses (marketing) para estimular a freqüência da ED.

Avivamento com conhecimento

Avivamento sólido e real, com características autênticas e resultados concretos, consolida-se através do desempenho de etapas dentro do processo ensino/aprendizagem.

A Bíblia é rica em lições para nossas vidas. Se propusermo-nos a estudá-la, com certeza seremos mais abençoados. Existem pessoas que por desconhecerem as Escrituras, coagem Deus a lhes dar pela Bíblia aquilo que na verdade não lhe é devido.

Oração

Tenha propósito definido em suas orações. Não peça porção dobrada do Espírito de Deus, isso é impossível que Ele faca, pois se fizer estará criando um deus superior a Ele.

Ore como Habacuque pedindo avivamento (Hc 3.1,2), não só você, mas todo o departamento de educação cristã.

Requisitos canalizadores e estimuladores do avivamento através do ensino

Você e sua equipe deverão ter visão ampla e criatividade para afastarem a monotonia e a rotina. É necessário triagem periódica para a identificação de problemas que, se ignorados, poderão avolumar-se. Com base nos episódios do rei Josias e das parábolas da ovelha e dracma perdidas (Lc 15.1-10), vamos analisar o ponto em comum existente entre seus acontecimentos.

Perceptibilidade

Pode parecer fácil, mas se você não tiver unção do Espírito Santo e a assessoria devida de uma equipe, talvez não consiga perceber e identificar a falta de alguma coisa.

O rei Josias percebeu a precisão de uma reforma no templo para que, desse modo, garantisse o futuro da tribo de Judá, pois uma vida de espiritualidade efêmera está fadada ao fracasso. Com o templo o povo poderia cultuar a Deus e dessa forma ser mais submisso.

O homem que tinha cem ovelhas (Lc 15.4) só soube que faltava uma porque certamente conhecia todo o seu rebanho e valorizava-o por igual.

Semelhantemente a mulher que perdera sua dracma (Lc 15.8), ela tinha conhecimento do valor de sua moeda e mantinha afinidade com ela de igual modo.

E você, está sabendo valorizar os seus alunos?

Interesse

O rei interessou-se pelo bem estar da sua alma como também com o de seus súditos. Preocupou-se em fazer conforme estava escrito no livro (2Cr22.13; 23.3).

A demonstração do interesse do homem por suas ovelhas e também da mulher por suas dracmas, pode ser percebido facilmente no fato de que, para que sentissem falta delas, no mínimo eram contadas todos os dias, pela manhã e pela tarde.

Se nosso departamento não se interessar pelo bem estar dos alunos faltosos, em pouco tempo não contaremos nem com a presença dos assíduos. Devemos mostrar empatia e preocupação pelos seus problemas e necessidades.

Disposição

O rei se dispôs para que a obra fosse concluída. Mobilizou de um lado, mexeu de outro, e concretizou seu desejo. Evidente que isso tornou-se mais fácil, porque ele não se empenhou sozinho, mas delegou poderes a uma equipe disposta a qual estava trabalhando ao seu lado para atingir o mesmo objetivo.

O homem dono do rebanho com certeza enfrentou obstáculos mil para deixar seus compromissos e se lançar aos perigos de uma busca incerta. A mulher relegou tudo a segundo plano até encontrar sua dracma perdida.

Método

O condutor de Judá estava com o Livro da Lei nas mãos. Já o havia lido, porém não sabia que atitude tomar, foi quando então lhe veio à mente que sua equipe fiel e eficiente poderia consultar o Senhor, por ele e pelo povo (2Rs 22.13). Contudo, antes de tomar essa decisão ele havia feito quatro coisas comoventes que contribuíram decisivamente para o avivamento:

(1) “…o teu coração se enterneceu…”;
(2) “…e te humilhaste…”;
(3) “…rasgaste as tuas vestes…”;
(4) “…e choraste perante mim…” (2Rs 22.19).

Compadeceu-se pelo povo (O aluno quer sentir isso do professor?).Reconheceu sua falibilidade (Só o aluno erra?).Esqueceu sua posição de superioridade e autoritarismo (Perco a minha autoridade sobre os alunos procedendo assim?).Chorou por si e pelo povo (Temos orado para darmos exemplo? E nas orações, temos incluído nossos alunos?).

Não sabemos quanto tempo o pastor gastou procurando pela ovelha. Quem sabe levou alimento e passou muitos dias caminhando muitos quilômetros sob o sol escaldante. E utilizou vários meios diferentes para resgatá-la. Aja de forma imparcial e incondicional. Faça planos, defina objetivos, trace metas e convide sua equipe a convergir igualmente os esforços para sanar deficiências. Crie meios de atrair a atenção e depois conscientize os alunos de suas responsabilidades.

Divulgação

Naquela época não existia sistema de alto-falante, rádio, televisão, telefone e Internet. Então como o rei reuniu todo o povo desde o adulto até a criança? Mais uma vez o rei contou com a eficiência e disponibilidade de sua equipe que, com certeza, fez um grande trabalho de divulgação e convite, tão in tensivo que não faltou ninguém (2Rs 23.1,2).

O pastor após retornar de sua exaustiva jornada, ainda teve coragem de se dirigir à casa de amigos e vizinhos, convidando-os para juntos se alegrarem pelo encontro e resgate de sua ovelha (Lc 15.6). Em todos os casos, apesar de milenares, as personagens históricas funcionaram como importantes divulgadores do século 21.

Lembro-me quando foi lançada a campanha Biênio da Escola Dominical 96/97, Achei o Livro da Lei na Casa do Senhor (2Cr 34.15), nascida na visão da liderança da Casa Publicadora das Assembléias de Deus (CPAD), alarmada com o fato de 80% dos crentes não freqüentarem a igreja aos domingos pela manhã. Os avanços acontecidos depois dessa campanha são inúmeros e impossíveis de mencionar.

Aqueles que popularizam sua ED estão ganhando almas e mais alunos com esse recurso. Muitas pessoas não a freqüentam por causa da falta de estímulo de seus dirigentes e coordenadores. Crie e mostre a necessidade de o aluno ir à ED, lembre-se que o que é bom, útil e importante pode e deve ser desejado. Promova mais a ED e você verá os resultados. - César Moisés de Carvalho

Publicado originalmente na Revista Ensinador Cristão, ano 3, nº 9. Rio de Janeiro: CPAD, jan/mar 2002. pp.44-7.

 

Ler 2865 vezes Última modificação em Terça, 25 Agosto 2015 16:12
César Moisés

Pedagogo; Pós-graduado em Teologia pela PUC-Rio; Chefe do Setor de Educação Cristã da CPAD; Comentarista da Revista Lições Bíblicas Jovens da CPAD; e Professor da FAECAD.

 

 

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