A igreja e a atual crise de valores

entrevista

Bíblicas da CPAD, articulista e um dos mais conhecidos pregadores e ensinadores das Assembleias de Deus. Desde menino, dedicou-se a testemunhar de Cristo e também à área da musica. Aos 21 anos de idade, foi ordenado evangelista. Ele fez parte da equipe de evangelistas da Cruzada Boas Novas, do célebre evangelista Bernhard Johnson, e foi pastor da AD em Varginha (MG). 

Junto à equipe do pastor Bernhard, ele dirigiu programas radiofônicos e, nas cruzadas evangelísticas, além de participar da direção dos cultos, foi cantor oficial durante todo o tempo em que esteve na Cruzada. Escritor, pastor Elienai é membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil e da Casa de Letras Emílio Conde. Possui cursos de bacharel em Teologia e pós-graduação em Linguística Bíblica, Psicologia Pastoral, Aconselhamento e Jornalismo. 

É autor de várias obras, todas publicadas pela CPAD, dentre elas Cartas aos Efésios, Cartas aos Romanos, A juventude cristã e o sexo, A síndrome do canto do galo, O pregador efi caz, Mordomia Cristã e Abraão. Ele tem exercido, por vários mandatos, cargos na Convenção Geral das Assembleias e Deus no Brasil (CGADB), como membro do Conselho Administrativo da CPAD e do Conselho Fiscal da CGADB. Foi presidente por vários mandatos da Convenção Evangélica das Assembleias de Deus do Distrito Federal (CEADDIF) e, desde 1985, é comentarista da revista Lições Bíblicas. Neste trimestre, ele aborda o tema que mostra as crises que o mundo caído vem sofrendo ao longo do tempo e a provisão divina. Confira a entrevista.


Sabemos que a igreja até os idos dos anos 70 via todas as crises como sinais da Segunda Vinda de Jesus. Em sua opinião, nos dias atuais, ela ainda tem a mesma visão?
Nos anos 70, houve alguns exageros. Um assunto muito forte naquela época foi sobre “O alinhamento dos planetas”, depois veio, mais recentemente, “O Bug do milênio”, que ocorreria, dizem, na passagem do século 20 para o 21, no fi nal de 1999 para 2000, mas nada disso se concretizou. O sentimento era de que haveria uma pane universal e milhões de pessoas fi caram apavoradas. Muitos pregadores se precipitaram em anunciar a chegada do “fim dos tempos” e alguns chegaram a anunciar a Volta de Cristo para 2012. Esses presságios negativos e equivocados acabaram por desenvolver descrença. A iminência da Volta de Cristo é comprovada em toda a Bíblia. O mal entendimento acerca desse assunto tem criado descrédito e os temas escatológicos estão sendo tratados por alguns como meras alegorias. É lamentável que a cultura do mundo moderno tenha tomado conta das mentes a ponto de a preocupação principal das gerações atuais ser imediatista e secular. O secularismo rouba o futuro e anula a realidade do amanhã, porque induz as pessoas a amarem apenas o “século presente”. A igreja tem sofrido com a influência do mundo. Ainda que a mensagem da Volta de Cristo tenha estado escassa nos púlpitos, a iminência da Volta de Jesus nos desperta para o Arrebatamento. Com o crescimento da diversidade religiosa no Brasil, é verifi cado um crescimento da intolerância religiosa, tendo sido criado por alguns grupos até mesmo um Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa por lei nacional.

Com a atual crise no país de que maneira a igreja deve se posicionar?
O Brasil é um país democrático. A Constituição preceitua, no Artigo 5º, Inciso VI, que “é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício de cultos religiosos e garante, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e suas liturgias”. Portanto, a diversidade religiosa, de certo modo, favorece a liberdade para se pregar o Evangelho. Requer-se da igreja métodos inteligentes, capazes de alcançar todas as pessoas sem agredi-las. A diversidade religiosa pode ser vista sob dois aspectos: um negativo, outro positivo. O positivo é a liberdade de expressão e o direito individual de escolha das pessoas. Ninguém é obrigado a nada. Já o negativo é a avalanche de ideias e conceitos acerca da necessidade espiritual de cada pessoa que pode induzir as outras a decisões confusas, promovendo um ceticismo que faz com que elas rejeitem qualquer tipo de religião. Essa rejeição acaba por criar intolerância religiosa em meio a essa liberdade de expressão que temos. Em algumas regiões do mundo, a intolerância é forte. Nos países mulçumanos, chega a um fanatismo tal de não admitir que qualquer pessoa em seus países professem outra religião.  A igreja tem a missão de proclamar o Evangelho em todo o mundo e não pode deixar- se esmorecer ante as barreiras políticas, sociais e religiosas que se erguem contra o seu papel kerigmático no mundo. Nossa liberdade de expressão precisa reconhecer que há princípios éticos que devem ser respeitados nas relações com as pessoas. Alguns exageros de pregadores que incitam contra as demais religiões não correspondem ao papel ético da igreja evangélica. A crise atual no país deve requerer da igreja uma posição defi nida naquilo que crê. Não deve fazer concessões acerca de valores que envolvem a família, por exemplo. Os representantes evangélicos que compõem o Congresso Nacional, as instituições de justiça e sociais, devem dar exemplo de integridade moral e espiritual. A fé cristã deve ser capaz de fazer frente à corrupção, à mentira e ao engano em todos os meios da sociedade. A crise de valores está atingindo as igrejas.

Qual a postura do cristão diante dessa realidade onde a igreja se tornou vitrine?
Ao falar de crises de valores na vida orgânica da igreja, estamos, de fato, falando de valores éticos como integridade, honestidade, lealdade, fi delidade e outros mais. Se na sociedade, especialmente, nestes últimos dias, na vida política, esses valores estão sendo vilipendiados e corrompidos, estamos percebendo essa corrupção entrando sorrateiramente no seio da igreja. Quando ela é tratada como negócio ou empresa, os líderes perdem a visão real da igreja e a tratam como uma máquina que faz dos seus pastores gerentes ou técnicos. Valores morais e idealistas perdem força e o que prevalece é o tratamento empresarial. Os elementos corruptores desses valores são a mentira, o engano, a avareza, o egoísmo, a soberba, o orgulho. Esses elementos são típicos do sistema mundano comandado pelo Diabo. A Bíblia declara que “o mundo jaz no maligno”. Esse sistema satânico procura dominar a vida humana, infiltrando-se em todas as camadas sociais, políticas e religiosas. É um sistema que invade nossos lares, que afeta e corrompe a mente de nossos fi lhos por meio da mídia e especialmente da internet. É um sistema espiritual declaradamente oposto à Igreja na terra, que, de forma sutil, penetra na mente dos nossos líderes espirituais com ideias mundanas. Não podemos fugir do nosso papel de proeminência neste mundo. Precisamos nos impor através de cristãos altamente preparados e conscientes de sua importância no seio da humanidade. Os valores caem na igreja quando permitimos que nossa teologia seja minada pelo modernismo liberal. Sabemos que pretensos teólogos infl uenciados por ideias racionalistas e vãs filosofias rejeitam o poder sobrenatural da Palavra de Deus. Interpretam a Bíblia como mera literatura humana. Esse sistema satânico procura brechas no nosso comportamento para induzir os fracos a comportamentos antibiblicos. O espírito mundano se manifesta pelos “amantes do século presente”, que apresentam um mundo moderno com ideias contrárias à Palavra de Deus. Essas ideias têm entrado na igreja por meio de líderes que perderam o vínculo com Deus e com a chamada divina. Aqueles valores que sempre nortearam a igreja devem ser resgatados com a ajuda do Espírito Santo.

 Fonte: Jornal MP Novembro de 2016, edição 1778. 

 

 

 

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