Propósito da Epístola

PR COMENTARISTA ADULTOS PARA O PORTALA Carta aos Hebreus ainda hoje é objeto de debates e polêmicas entre os historiadores e teólogos que discutem o seu conteúdo e principalmente quem a escreveu, considerando também queos destinatários foram os judeus convertidos ao cristianismo quemanifestaram a intenção de retornar ao judaísmo por causa da perseguição de flagrada pelo Império Romano. Ela é conveniente, uma vez que o escritor manifestou o desejo de apresentar a mensagem de Jesus como superior e a finalidade da revelação e redenção da parte de Deus através de seu filho. O remetente procura através desta carta demonstrar que as disposições divinas para a redenção vistas na Antiga Aliança cumpriram-se e tornaram-se obsoletas pela encarnação de Cristo e pelo estabelecimento do Novo Concerto, mediante a sua morte vicária. A proposta do escritor baseia-se em três pilares: (1) continuarem a sua caminhada e a sua confissão de Cristo até o fim, (2) prosseguirem com o processo de maturidade espiritual,e (3) não volverem ao estado de condenação caso abandonem a fé em Jesus. O comentarista convidado é o pastor José Gonçalves líder da Assembleia de Deus em Água Branca (PI), vice-presidente da Comissão de Apologética da CGADB, escritor e comentarista da Lições Bíblicas de Adultos da CPAD deste trimestre.

Como o senhor resumiria os pontos cruciais da Epístola aos Hebreus?

A carta aos Hebreus tenciona fazer uma ponte entre o passadoe o presente vivido pela igreja daqueles dias. Frente as ameaças de um judaísmo cada vez mais presente na comunidade, a carta soa como um alarme sobre o perigo de uma fé que estava arrefecendo-se. O alerta é sobre o perigo de voltar atrás! Podemos, então, afirmar com segurança que o seu propósito era alimentar o ânimo, a esperança e a fé diante do perigo da apostasia.
Com esse propósito o autor desenvolve algumas temáticas que dão corpo e forma à carta.
Primeiramente, temos o ministério dos anjos sendo contrastado com o de Cristo. Os anjos eram importantes dentro da cultura judaica e por isso eram objetos de grande estima e admiração. O autor mostrará com uma sólida argumentação que os anjos, de fato, são importantes, mas não eram filhos como o era Jesus.
Em segundo lugar, o autor tem consciência da importância que Moisés teve para a história do povo Hebreu e por isso contrasta o papel do grande legislador como de Cristo. Moisés, de fato, foi um grande líder, um mordomo sobre a casa de Deus, enquanto Jesus aparece como o construtor e edificador dessa casa.
Em terceiro lugar, numa sessão bem mais extensa e que é a maior da carta, o autor contrastará o sistema levítico com o sacerdócio de Cristo. A intenção da carta é mostrar a superioridade deste em relação àquele. O sacerdócio da antiga aliança era da ordem aarônica, o sacerdócio de Cristo era segundo a ordem de Melquisedeque. O sacerdócio levítico era temporário, o de Cristo eterno.O sacerdócio de levítico oferecia animais como vítimas do sacrifício, enquanto Cristo, nesse novo sistema sacerdotal, ofereceu-se a si mesmo. O sacerdócio levítico cobria o pecado, o sacerdócio de Cristo remove o pecado.
Por último, a carta dispõe no seu final de um rico conteúdo exortativo. Esse teor exortativo permeia toda a carta, mas no final ele ganha um corolário a mais. Os crentes são desafiados a imitar o exemplo dos cristãos antigos, que mesmo diante de provas, alguns até mesmo morreram, não voltaram atrás. Seguiram emfrente porque tinha a promessa de coisas melhores feitas pelo próprio Deus.

Como distinguir o que ainda é válido na Lei de Moisés para guiar a vida do crente atual?

O argumento da Carta é o de que Cristo não apenas é superior à antiga aliança, mas o cumprimento dela. A propósito, isso é o que motiva o autor a escrever essa carta.  A comunidade a quem ele endereçara esse texto, formada por judeus, estava voltando as antigas práticas do judaísmo. O retorno ao judaísmo era necessariamente um retorno à Lei. Para o autor isso se configurava uma apostasia porque a lei nunca aperfeiçoou nada. Ela servia apenas de um instrumento para conduzir a Cristo. Cristo, portanto, era o cumprimento da lei. Quem está em Cristo vive os princípios da lei, porque Cristo é o cumprimento da lei.

Qual o legado dos heróis da fé do Antigo Testamento para a igreja de hoje?

Os heróis bíblicos nomeados pelo autor surgem como modelos a serem seguidos. Isso tem uma razão de ser. Os cristãos da nova aliança, instituída em
superiores promessas, em vez de imitarem a fé dos seus pais, que morreram por aquilo que acreditavam, estavam pensando seriamente em voltar à pratica legalista do judaísmo. Nesse aspecto eles estariam preferindo a sombra em vez da realidade.
As pressões sociais somadas com o arrefecimento das expectativas da nova fé, aparecem como fatores negativos na caminhada dos cristãos hebreus. Ao contrário dos fiéis da antiga aliança, os cristãos da nova aliança demonstravam desânimo e falta de fé diante dos desafios enfrentados.
A carta, portanto, mostra que o passado do povo de Deus está do nosso lado. São modelos a  ser imitado. São trilhas a serem seguidas. Se eles, que viveram apenas na sombra das promessas ousaram tanto, como fazer diferente nós que vivemos na realidade e concretização das promessas?

Há cristãos que acreditam que “uma vez salvo, salvo para sempre”. Entretanto, o escritor aos Hebreus está entre os que ressaltam a possibilidade concreta de apostasia. Gostaria que o senhor falasse sobre isso.

Essa é uma crença popular em algumas igrejas de confissão protestante, mas alheia ao texto bíblico, especialmente na carta ao Hebreus. Na verdade, é um conceito tardio na história da teologia cristã. Está ausente na maioria esmagadora dos pais da igreja e só aparece no século V, com Agostinho, bispo de Hipona (354-430 d.C). É, portanto, um conceito mais católico do que protestante.
O reformador genebrino João Calvino (1509-1564) cria que Deus havia preordenado alguns para a vida eterna enquanto outros para a perdição eterna. Dentro dessa perspectiva, a conclusão lógica é que quem havia sido destinado para a vida eterna não poderia se perder. Uma vez salvo, para sempre salvo.
Essa máxima funcionou como um mantra dentro de alguns círculos da teologia protestante e, acredito que até certo ponto, discordar dela era considerado
por muitos como pior do que blasfemar contra o Espírito Santo. Os remonstrantes, sucessores do teólogo holandês Jacó Armíno  (1560-1609), foram considerados hereges pelo desastroso Sínodo de Dort (1618-1619) e banidos de seus territórios porque se contrapuseram a essa interpretação  equivocada. Outros pagaram com a própria vida!
A carta aos Hebreus, ao contrário de dizer que uma vez salvo, para sempre salvo, mostra a necessidade de perseverança e vigilância na jornada cristã. A propósito, essa carta se tornou uma pedra de tropeço para aqueles que pregam a doutrina da segurança incondicional ou eterna do crente. Esse fato é  visto, por exemplo, na interpolação que Teodoro Beza (1519-1605), sucessor de João Calvino, introduziu no texto dessa carta quando publicou seu Novo Testamento. Beza introduziu um “se” em Hebreus 6.6, que não consta no original grego, a fim de suavizar o  duro tom exortativo dessa carta. Posteriormente o grande pregador londrino Charles Spurgeon (1834-1892) valeu-se dessa falácia para tentar provar essa suposta segurança incondicional dos crentes. Para o autor de Hebreus o perigo de cair da fé é uma realidade e não apenas uma hipótese (Hb 3.12; 6.4-6; 10.26-29). Nossa
segurança está condicionada a nossa permanência em Cristo. 

A Bíblia diz que Jesus é Sumo Sacerdote “segundo a ordem de Melquisedeque”. Gostaria que o senhor explicasse o significado dessa expressão.

Essa é uma expressão chave na carta aos Hebreus. Jesus, como um judeu pertencente a tribo de Judá, jamais poderia oficiar como sacerdote. Somente os descendentes os da tribo de Levi e descendentes de Arão poderiam oficiar como sacerdotes.
Como poderia, então, Cristo oficiar como sacerdote se ele não preenchia esses requisitos? O autor da carta aos Hebreus, a partir de uma exegese segura do Salmo 110, mostra que Jesus é aquele que cumpre a profecia deste salmo porque Ele é rei e sacerdote ao mesmo tempo como o fora Melquisedeque, sacerdote do Deus altíssimo e rei. Nesse aspecto o sacerdócio levítico, imperfeito e temporário cedia lugar para o sacerdócio eterno e perfeito de Cristo, que era segundo a ordem de Melquisedeque.

Fonte: Revista Ensinador Cristão, edição 73.

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